Meu Manifesto

Sem grito, sem armas, sem gangue
Me considero um preso político
Ataques frontais, me sujando com seu sangue
Ninguém me ouve, compraram meia verdade dormindo

Eu já não sou ninguém, mas continuo sorrindo
Podem rir de mim, vocês não sabem, que eu não vou me abalar
Meu guia é forte e está sempre comigo
São Jorge é Guerreiro, Santa Luzia meu Escudeiro, e a Aparecida nunca fica de Luto

Eu sou capaz de me curvar, te oferecer uma flor
Mas por enquanto fique apenas com meu dissabor 
Pareço fraco, oprimido, mas não, é que pela primeira vez carrego Deus comigo
Posso parecer um idiota, mas com 34 anos, isto pra mim não é derrota

Termino aqui meu manifesto, que por enquanto estou correto
Mostrando que este cheiro eu não quero mais perto
A minha vida mudou e cá estou, não te ofereço minha flor, pois pra mim você jaz 
E desde então, a minha vida é só paz.

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Filed under Com a alma, Prosa Poética

quebra-mar

Quem me olhava pela escadaria eu estava apenas de costas. Na real eu estava olhando o mar, o vento batendo na cara, e eu só esperando a mina onda.

Quem me olhava pela escadaria eu estava apenas parado, estático. Mas estava concentrado, esperando a da esquerda, eu sabia que ela viria.

 

A maré não subiu e o vento não parou, eu só dropei.

Olhos fixos e leveza no corpo, no flow.

 

Entre uma batida e outra dava pra sentir o cheiro do asfalto comendo a roda, o cheiro do medo, da adrenalina, o cheiro do sangue correndo na veia. A onda quebrou nas minhas costas como uma voz dizendo “você vai morrer”.

Rasgando de lado saindo pra direita assim eu vou segurando a prancha pela mão, curvando o corpo ao máximo pra sair da borda. Sinto-o tremer, escorre a primeira gota de suor provido do medo.

Olhando pro chão, sem dispersar um piscar de concentração, eu entro na esquerda.

 

Bruto.

 

Nada me desencoraja, é a minha onda, e eu to na crista, queimando o chão no surfe do asfalto.

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o ontem, o hoje e o amanhã.

O ano começou visceral. Fez amadurecer o embrião que estava em fase de formação.

Jogou na cara como lição, que só se caça com gato, quando realmente não se tem um cão.

O ano começou na lama, mas aos  poucos, estouramos a primeira champa.

Infelizmente nem sempre os brindes são sinceros, não é isso que eu quero.

Por isso hoje eu só brindo com você, que é quem me faz crescer.

O ano começou aos amores, e isto supre todas as minhas dores.

E todo mundo sente uma dor, seja lá ela qual for.

O ano começou de maneira diferente, intrigante,  pedindo para eu ir adiante.

De certa maneira eu fui, e cá estou, sentindo seu sabor.

Passamos por janeiro, fevereiro e março, e ainda nem tirei tanto sarro.

Preferia que passasse mais devagar, me sobraria mais tempo pra tragar.

O ano começou ontem e já estamos em abril, puta que o pariu.

Daqui a pouco faremos mais um mês de casado, mais um brinde ao seu lado.

Amanhã o ano pode passar mais devagar, e mesmo assim alguém vai reclamar.

Então deixe a vida seguir o curso que quiser, sempre haverão zé manés.

E destes estou cheio, pois vivo bebendo seu veneno.

Mas se esqueceram que eu sou um rato, não é disso que eu me infarto.

Ainda falta muita gente com culhão, ninguém se supre com bundão.

Daqui pra frente o ano pode seguir assim, só com você perto de mim.

Pois isto sim é de verdade, o resto eu não sei se era mesmo amizade.

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Filed under Ingenuidade Racional

Divagando…

Acordei mais cedo hoje e enquanto dirigia, meio sonâmbulo ainda, curtia o sol refletindo contra o pára-brisa do carro. Acordar mais cedo, para mim, significa divagar. A capacidade de pensar em diversos assuntos aleatoriamente se dá, comigo, principalmente pela manhã.

A individualidade no trânsito realmente me assusta, quando alguém percebe que você quer mudar de faixa, logo acelera para te dificultar, pois afinal, pra quê ceder espaço se podemos ganhar cinco segundos na vida? Um aglomerado de motoqueiros empurram uns aos outros para ocupar a faixa de pedestres, parece uma competição de quem vai arrancar primeiro ao sinal verde. Ao arrancar já começa a sinfonia de buzinas enfileiradas com medo de algum esbarrão. Outra falha individualista, o motoqueiro aciona o botão “pânico” instalado no cérebro a cada tentativa de mudança de faixa de um automóvel. Que tal começar a frear ao invés de buzinar? Todo mundo conviveria melhor. Acompanho a tudo ouvindo uma boa música, tentando sempre não participar de qualquer baderna semelhante.

Como este ano está corrido, a batalha não consiste apenas em viver um dia após o outro, mas sim em programar dia após dia. Aquele velho bordão de “matar um leão por dia” não cabe mais pra mim, hoje eu decidi que devo domesticar o leão e fazê-lo trabalhar pra mim. Se você decidir que vai viver bem, você conseguirá. Não jogue sempre as suas responsabilidades na mão de deus, deixe-o resolver outros problemas e faça mais por você mesmo.

Sinto saudades do cheiro do café, e dentro de mais uns minutos já posso matar esta saudade, pelo menos esta. E ainda tem gente que prefere despejar energia negativa a plantar a positividade. Invente menos picuinha no seu dia, crie menos intrigas, prefira falar de você próprio a falar dos outros, tenha algo a agregar. Sempre.

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Sucumbência

Neste mês de agosto eu fui a um lugar, que em uma circunstancia desta, seguramente eu nunca fui. De cara achei tudo muito aconchegante e me senti mais a vontade.

Recebi três livros para a utilização naquele dia. Antes de iniciarmos as leituras, abri um deles aleatoriamente e a página em que parou foi esta:

 Divino Amor

 Divino amor, que ao nosso amor transcende

Dos céus contempla os noivos, ó Senhor

E as nossas orações agora atende

Unindo-os mais e mais ao teu amor

 A graça dá-lhes de um viver seguro

Em doce caridade e fé comum

Permite que não temam o futuro

E que seus corações se tornem um

 Alcancem tua paz, em harmonia

Na mais profunda e santa comunhão

Antecipando o glorioso dia

Em que, remidos, te contemplarão

 É óbvio que o arrepio no corpo todo foi inevitável. Não só o divino amor, mas a divina presença me acalentou naquele momento em que eu precisava demais. Depois deste dia eu me senti mais forte para enfrentar as adversidades que a vida vem me colocando como obstáculo, me senti mais vivo e com mais vontade de viver. O ódio já não me pertence mais, o rancor já deixou de existir, e a “pena” é um sentimento que não devemos ter por ninguém. Passei a insistir nisso, passei a desejar PAZ para todos aqueles que eu julgo precisar. Mesmo eu me questionando “quem sou eu pra julgar”, pedir por paz nunca será demais.

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Mente, diabólica mente

Você sabe, nunca fomos de freqüentar igreja, na verdade nunca fomos de freqüentar nada. Mas desde pequeno minha mãe me ensinou a rezar, e então eu sempre rezei todas as noites antes de dormir, simplesmente por acreditar na minha mãe. Há pouco mais de um ano eu deito-me tranquilamente para dormir e não consigo iniciar uma reza, alguns dias eu até lembro mas me recuso, outros sequer me passa pela cabeça. As vezes penso que perdi minha fé, outros eu me questiono se a fé realmente existe. Há dias também em que duvido de deus, já outros me pego dizendo que se não fosse deus não haveria jeito. É um momento confuso, pois se deus fosse real não deixaria que as coisas caminhassem assim, por outro, talvez aquele bordão de que precisamos passar por uma determinada situação para crescer, realmente seja verdade. Mas eu nunca gostei de bordões, né.

As vezes eu acho que me tornei sombrio demais. Não tenho mais medo de nada. Em alguns momentos venho me fingindo de morto, venho me fazendo de otário e acompanho com sagacidade o quem é quem de verdade. A traição acompanhada da banalidade humana se faz mais presente do que um dia você pôde imaginar, e aquelas fisionomias samaritanas, ingênuas, com seus rostinhos de porcelana, depois da primeira rachadura espatifaram-se ao vento. Mas mesmo assim só consegue-se enxergar por detrás da máscara aquele que não usa cabresto.

É engraçado como anos depois eu me pego conflitando com seus conselhos, que na época eram interpretados como broncas. Consigo lembrar fielmente as palavras e o tom da sua voz, mas lembro um pouco tarde, talvez. Se eu tivesse tido a calma para interpretar as sábias palavras, aos trinta e dois anos, eu não passaria por uma banalidade sem tamanho, mas decepção ensina a viver. Hoje eu percebo nos outros certa inversão de valores iniciada pouco antes dos quinze anos, aquela idade em que precisamos de auto-afirmação para sobreviver perante os demais. Muita coisa veio se arrastando com o tempo, e agora, muita coisa o tempo arrastou, graças a deus. Um pouco contraditório, né.

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Ser Criança

Ah como é gostoso voltar a ser criança, não é só nostálgico, é extasiante. Sequer lembro-me quando brinquei pela última vez de lego, forço a memória, mas não consigo me lembrar. Meus olhos apenas se arregalam perante a quantidade de peças espalhadas pela frente e as mãos já se coçam para voltar a ser criança.
Lembro-me de nossa ingenuidade, a única malícia que tínhamos era tocar a campainha nas casas e sair correndo para então escondidos, rirmos quando atendessem ao chamado, nossa, que adrenalina era isso. Ríamos até chorar por uma brincadeira tão sem-graça para as crianças de hoje.
E quando no meio da brincadeira minha mãe chamava para o jantar? Eu olhava a maquete ainda pela metade com um aperto no coração de ter que abandonar tudo. Queria brigar com a minha mãe porque ela não entendia a minha necessidade de terminar uma construção. Mas eu não imaginava também a importância de um jantar em família para o meu pai.
Nesta época eu jamais poderia imaginar que a vida ia mudar da maneira que mudou, pois quando somos crianças achamos que a vida é uma festa e que responsabilidade maior que temos, é a de assistir todos os episódios do Chaves para termos assunto na rua.
Eu nunca quis crescer, nunca pretendi me tornar alguém, eu nem sabia o que era isso. Mas não adianta, cada um tem seu tempo, e a vida te leva para onde você realmente tem que ir e não adianta lutar contra.
O tempo passou, concluí os estudos, me tornei pós-graduado, continuo me enfiando naquele emaranhado de livros que para mim, ainda continua sendo o maior enriquecimento humano. Mas ao olhar para isto, me permiti tornar-se criança novamente por mais vezes, me permiti esquecer por algumas horas de que a vida adulta é foda, e espero de verdade, que a cada vez que eu volte a ser criança novamente eu sinta o mesmo arrepio na pele que senti no último sábado.

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